@teadultecendo

Iniciei 2026 dando um tempo e fazendo um limpa nas redes sociais.

Havia criado um perfil no instagram para falar de espiritualidade, autoconhecimento e terapias integrativas. Deletei.

Estranho como os movimentos internos fazem o tempo correr num outro ritmo e intensidade. De repente, não me identifico mais com as coisas que postei no mês passado, por exemplo.

Como se eu já tivesse morrido e renascido várias vezes, olho para aqueles textos e eles parecem não me representar mais. Deleto sem dó e nem sinto falta depois.

Ao mesmo tempo, quando dou uma fuçada aqui nos posts criados no ano passado, num momento de INTENSO HIPERFOCO em GenAI, fico bem feliz. 🥰

Foi muito brain dump e processamento de ideias sobre temas que eu REALMENTE quero levar pra vida toda. E que estava há ANOS ansiosa para tirar da cabeça e organizar num papel.


Mas, depois do colapso no fim de semana – fica pra um outro post, senti necessidade novamente de ter um lugar no insta pra compartilhar aprendizados. E assim nasceu @teadultecendo e @neuro.becoming.

Ainda são sementes recém plantadas.

Sem pressa para torná-los públicos.

O interessante é que, a cada conta criada, eu adiciono uma camada minha que eu não estava disposta abrir numa conta pública [1].

Esta conta leva a descoberta da minha neurodivergência como parte do meu caminho de reconstrução da minha saúde mental e emocional.

Talvez… seja algo bem além de descobrir a neurodivergência, mas também sobre processá-la e aceitá-la. Tive diagnóstico de TEA em 2023.

Recentemente, uma avaliação mais detalhada apontou também TDAH e Altas Habilidades e descobri que ainda não lido bem com essas informações.

Existe um luto que preciso processar – e que tentei atropelar.

Nos últimos anos, posts e reels de redes sociais me ajudaram muito a entender, aceitar e curar muitas questões emocionais e mentais.

Por isso, muitas vezes quis ter uma conta pública, para repassar o que tem me feito bem.

Mas eu tinha vergonha de postar coisas sobre TEA, por exemplo… repostava um ou outro reel, mas não todos os que eu gostava “pra não parecer que eu estava querendo chamar atenção para o meu diagnóstico”.

Dias atrás, comecei a entender que não preciso ter vergonha desse tema.

Neurodivergência.

E quero poder passar pra frente mensagens poderosas como esta. 👇

Não sei quantas vezes assisti desde que descobri esse vídeo no fim de semana.

Choro toda vez. 😭😭😭💗


Nota:

[1] Apesar da conta pública, as contas do insta seguem sem identificação da autora, assim como que nesse blog. Isso, por enquanto, é importante para preservar a autenticidade dos textos nos posts.

A Descoberta Tardia

O Desafiador Caminho de Mulheres com Autismo, TDAH e Altas Habilidades

Nesta semana também encontrei vídeos do canal Mais que Autismo sobre mulheres que descobrem sobre sua neurodivergência e altas habilidades já adultas.

Para muitas mulheres, a vida adulta chega acompanhada de um sentimento persistente de inadequação, cansaço crônico e a sensação de que “algo está fora do lugar”. Frequentemente, é somente após o diagnóstico de um filho que a ficha cai: as características observadas na criança são, na verdade, um espelho de sua própria trajetória. O diagnóstico tardio de Autismo (TEA), TDAH e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) em mulheres é uma realidade crescente, mas repleta de desafios específicos.

O Peso da Camuflagem Social (Masking)

Um dos maiores obstáculos para a identificação precoce em meninas é o chamado masking ou camuflagem social. Desde cedo, as mulheres são socializadas para serem agradáveis e observadoras. Meninas com altas habilidades ou autismo costumam ter uma consciência social precoce, aprendendo a ler o ambiente e a suprimir seus interesses profundos ou comportamentos “estranhos” para se encaixarem.

Essa “camaleoa” social paga um preço alto: uma exaustão emocional profunda por sustentar uma persona que não condiz com sua essência. Com o tempo, essa desconexão com a própria identidade pode levar ao burnout, ansiedade e crises existenciais.

O Labirinto dos Diagnósticos Equivocados

Antes de chegarem à identificação correta de sua neurodivergência de base, muitas mulheres passam anos recebendo diagnósticos parciais ou errados. Não é raro que a intensidade emocional das altas habilidades ou a desregulação do TDAH sejam confundidas com Transtorno de Personalidade Borderline, Bipolaridade, Depressão ou Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Infelizmente, ainda existe muita ignorância e preconceito por parte de profissionais de saúde, que muitas vezes invalidam a busca da mulher por respostas, alegando que ela “tem faculdade” ou “se comunica bem demais para ser autista”.

A Tríade e a Dupla Excepcionalidade

Quando o Autismo, o TDAH e as Altas Habilidades coexistem (fenômeno conhecido como dupla excepcionalidade), o quadro torna-se ainda mais complexo.

  • O Cérebro em Alta Rotação: A mulher pode ter um processamento de informações extremamente rápido, mas um corpo hipersensível e hiper-reativo que entra em colapso com estímulos sensoriais.
  • A Síndrome da Impostora: Mesmo com grandes capacidades intelectuais, a régua interna é tão alta que qualquer falha gera uma autocrítica devastadora. No TDAH, a inconstância no desempenho alimenta o sentimento de ser uma “fraude”.

Marcos de Vida e Mudanças Hormonais

As fontes destacam que a neurodivergência feminina é profundamente influenciada por marcos hormonais como a puberdade, gestação, puerpério e menopausa. O puerpério, por exemplo, pode ser um gatilho para o diagnóstico, pois a avalanche de estímulos sensoriais (choro do bebê, falta de sono) e a demanda emocional podem fazer com que uma mulher de nível 1 de suporte sinta que “perdeu o controle”, evidenciando traços que antes eram compensados. Na menopausa, a “névoa mental” pode fazer com que a mulher sinta que seu intelecto — sua principal ferramenta de identidade — está falhando.

A Libertação pelo Autoconhecimento

Apesar das dificuldades, o diagnóstico tardio é frequentemente descrito como uma libertação. Ele permite que a mulher:

  1. Faça as pazes com o passado, entendendo que sua “estranheza” tinha uma causa neurobiológica e não era uma falha de caráter.
  2. Desenvolva estratégias de autorregulação, como o uso de abafadores de ruído ou a criação de pausas necessárias para o descanso do cérebro.
  3. Encontre seus pares, conectando-se com outras mulheres que compartilham do mesmo funcionamento e intensidade.

O diagnóstico não é um rótulo que limita, mas um mapa que oferece um caminho para uma vida com mais autocompaixão e qualidade.


Vídeos Recomendados para Saber Mais:

Para se aprofundar no tema, assista aos vídeos que serviram de base para este texto:


Notas:

  • O texto deste post foi gerado através de IA (NotebookLM). Esse conteúdo me ajudou a abrir a cabeça para a importância de me aprofundar nesse assunto. Espero que possa ajudar também outras pessoas a começarem a se entender quando receberem seus diagnósticos – especialmente no caso de dupla exceptionalidade.
  • ATENÇÃO: Nenhum post deste blog substitui orientação de um PROFISSIONAL DE SAÚDE.

Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) na vida adulta

Uma série de Simone Sabino, publicada em seu canal SerMaisHumano.

A descoberta das Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) na vida adulta é um percurso inesperado que muitas vezes começa com um estranhamento e termina em uma profunda reconstrução da identidade. Para muitos, como a psicóloga Simone Sabino, que se identificou aos 63 anos, esse processo revela que o que antes era visto como “esquisitice” ou “defeito” é, na verdade, uma condição de nascença com características muito específicas.

Encontrei esse canal quando estava tentando entender um pouco mais sobre as Altas Habilidades e achei lindo a maneira como ela compartilhou sobre seu processo.

Existe algo único em ouvir outros neurodivergentes falando sobre seus processos e eu estava precisando ouvir esse relato hoje. 🥹

O Ônus da Identificação Tardia

Diferente do que o senso comum sugere, ser superdotado não é sinônimo de ser um “gênio” infalível; é ter um cérebro que funciona com maior intensidade, velocidade e hipersensibilidade. O ônus de descobrir isso tardiamente envolve olhar para o passado e perceber décadas de sofrimento que poderiam ter sido evitados ou amenizados.

Muitos adultos superdotados cresceram como “superdotados ocultos”, sentindo-se deslocados ou sendo criticados por serem “intensos demais”, “chorões” ou “questionadores”. Essa falta de validação na infância pode levar ao recolhimento e ao desenvolvimento de traumas e inseguranças. Simone relata, por exemplo, como sua hipersensibilidade e a falta de ferramentas para lidar com o mundo resultaram em uma bronquite asmática severa na infância — uma resposta física à intensidade com que capturava o ambiente ao seu redor.

Desafios no Cotidiano e na Família

A vida de um superdotado não identificado é marcada por lacunas de compreensão. Existe um sentimento constante de não pertencimento. A pessoa pode ser vista como “certinha demais” ou “exigente”, quando, na verdade, possui um senso moral e de justiça aguçado que a faz sofrer diante do que percebe como incorreto.

No âmbito familiar, a identificação tardia traz um misto de reações. Frequentemente, os familiares não se surpreendem, pois já estavam acostumados com a “pessoa Bombril” (mil utilidades) que resolve tudo, mas falham em entender a profundidade da angústia interna e a necessidade de uma revisão de vida que essa descoberta exige. É comum o arquétipo de Cassandra: ter a capacidade de perceber fatos e prever consequências que os outros não veem, o que gera isolamento e a dor de não ser acreditado.

O Processo de Aceitação e Autocura

Aceitar a condição de superdotado na maturidade é um processo lento e, muitas vezes, solitário. Envolve:

Desconstrução de mitos: Entender que a superdotação não é um produto ou um nível de superioridade, mas uma forma diferente de processar sinapses.

Revisitando traumas: Compreender que reações do passado, antes vistas como “birra” ou “dengo”, eram manifestações de uma hipersensibilidade inata.

Busca por auxílio especializado: O acompanhamento por profissionais que entendam de AH/SD é crucial para aprender a lidar com a potência do cérebro de forma construtiva e saudável.

A identificação, embora tardia, permite que a pessoa pare de lutar contra sua própria natureza e comece a colocar seu potencial a serviço de si mesma e do mundo, transformando o “esquisito” em algo pleno de sentido.

Ao nos libertarmos da tirania do “ter que” e das cobranças, podemos soltar o que nos prende, encontrar nossa verdadeira motivação e finalmente viver uma vida mais leve, plena e feliz. A vida é gostosa, cheia de prazer, mas só quando não somos dominados por cobranças rígidas.


Notas:

  • O texto deste post foi gerado através de IA (NotebookLM) e resume bem os vídeos da Simone que me ajudaram a passar por esse assunto. Espero que possa ajudar também outras pessoas em seus processos de autoacolhimento. 💗
  • ATENÇÃO: Nenhum post deste blog substitui orientação de um PROFISSIONAL DE SAÚDE.

Links para os vídeos citados:

ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO TARDIA: Conclusões Relevantes

ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO TARDIA: O QUE NINGUÉM TE CONTA

ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO TARDIA: O ÔNUS de ser SUPERDOTADO

ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO TARDIA: Superdotado “OCULTO”

Altas Habilidades e Superdotação Tardia: Impactos familiares

SUPERDOTAÇÃO E ALTAS HABILIDADES TARDIA: UM PERCURSO INESPERADO